2º Dia: “Quem crê em Mim que sacie a sua sede” (Jo 7, 37)

Bom dia queridos Pai, Jesus, Espírito Santo

Que bom podermos começar o dia na vossa companhia! Que O Espírito Santo nos possa orientar na oração de hoje e que cada dia busquemos a fonte certa onde beber a água que nos dá a Vida. Que essa água viva que recebemos chegue também a muitos outros através de nós! 

Nossa Senhora do Rosário, acolhe os pedidos que estão no nosso coração e leva-os a Deus. Intercede junto d'Ele por cada um de nós!

A Palavra de Deus

Mt 3, 13-17

Então, veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser batizado por ele. João opunha-se, dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti, e Tu vens a mim?» Jesus, porém, respondeu-lhe: «Deixa por agora. Convém que cumpramos assim toda a justiça.» João, então, concordou.

Uma vez batizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.» 

Jo 7, 37-39

No último dia, o mais solene da festa, Jesus, de pé, bradou: «Se alguém tem sede, venha a mim; e quem crê em mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura, hão de correr do seu coração rios de água viva.»

Ora Ele disse isto, referindo-se ao Espírito que iam receber os que nele acreditassem; com efeito, ainda não tinham o Espírito, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

Trecho da Homilia do Papa Leão XIV em Paris (26.09.2026)

«Se alguém tem sede, venha a mim» (Jo 7, 37). Irmãos e irmãs, a nossa comunidade sedenta volta-se para Cristo, fonte de água viva; a água que sacia e faz florescer a vida, a água do amor de Deus «derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5).

O desejo de Deus habita no mais profundo do nosso coração, e nós clamamos com o salmista: «A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!» (Sl 42, 3). É o clamor de um homem, humilde e apaixonado, cuja sede mais íntima e existencial não cessa de crescer. Ora, é Jesus Cristo que, através da sua encarnação, vai ao encontro de cada homem na sua história e se lhe revela como a verdadeira fonte de água viva, capaz de aplacar a sua sede. Não se trata tanto de uma sede material, mas antes de uma sede de sentido, de verdade e de realização que habita no coração de cada um. Jesus responde a este profundo desejo de relação, de comunhão com Deus, no qual reside a plenitude da vida para sempre.

Pistas de Oração

Como se dizia no 1º dia deste retiro, estamos no rescaldo do Tempo da Criação, que terminou no dia de S. Francisco de Assis, a 4 de Outubro. Mas é um tempo que se pode viver todo o ano, é mais um estado de espírito que se traduz numa nova forma de olhar o mundo, louvando a Deus por tudo o que Ele criou, maravilhando-nos com a beleza e harmonia da criação e vivendo de forma fraterna, recebendo e espalhando a comunhão e a paz.

Acontecem milagres cada dia quando o nosso olhar é transformado pelo olhar de Jesus. Mas nem sempre nos apercebemos que a Sua intervenção é constante e decisiva, pode-se dizer mesmo, vital!

Hoje somos convidados a beber da fonte certa, aquela que nos dá a água viva. Jesus veio para nos dizer qual é e onde está essa fonte: “«Se alguém tem sede, venha a mim; e quem crê em mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura, hão de correr do seu coração rios de água viva.»(Jo 7, 37-38); tal como disse à Samaritana: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é que te diz ‘dá-me de beber’, tu é que lhe pedirias e Ele havia de dar-te água viva” (Jo 4, 10).

- Já fizemos a experiência do dom de Deus? Este dom que nos vem de nos deixarmos amar por Ele, pela presença do Seu Amor derramado no nosso coração, através do Seu mesmo Espírito que nos é dado?

Jesus precisou de fazer esta experiência do amor do Pai muitas vezes e por isso procurava o Pai na oração, na intimidade do Seu coração.

Uma das experiências possivelmente mais marcantes do reconhecimento da sua identidade como Filho de Deus, foi o momento do Seu Baptismo no Jordão, por João Baptista. Nesse momento tão especial, o Espírito desceu sobre Ele em forma de Pomba e a voz do Pai ouviu-se: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu encanto.» (Mt 3, 17). Como terá sido edificante para Jesus ouvir isto, mesmo que já o soubesse. Certamente sentiu-se fortalecido e enviado na sua missão pública de anunciar o Evangelho, que começou logo depois do Seu Baptismo.

Precisamos de reconhecer a nossa identidade de filhos muito amados de Deus, amados por um Amor verdadeiro e incondicional. Esse reconhecimento dá-nos chão, dá-nos segurança, dá-nos a nossa verdadeira identidade, dá-nos Vida.

- Onde me alicerço? Naquilo que alcancei, nos meus sucessos ou poder, no que os outros dizem ou pensam de mim? Porque isso de um dia para o outro pode mudar e aí perco a minha segurança.

Para estar segura da minha verdadeira identidade preciso do Espírito Santo. É Ele que me faz reconhecer que sou filha de Deus e mais, que me possibilita viver como tal. É Ele que me faz perceber que não sou escrava, nem devedora, nem estranha ou outra coisa qualquer, mas que sou livre e sou filha daquele que tudo criou e é Todo-Poderoso no Amor; que me faz crer que nada nem ninguém me pode separar do Seu Amor, nem pode diminuir a minha dignidade, aquilo que já me foi dado e que só não receberei se a isso renunciar. Eu, mais ninguém!

Que cena bonita é ver uma mãe ou um pai olhar com ternura e encanto para o seu filho pequeno! E que bonito é também poder olhar para mim mesma e ver esse encanto de Deus por mim! Essa é a água viva que Jesus me quer dar, que me transforma, me dá uma vida nova, que faz curar tantas feridas e dar frutos de boa qualidade, como a água que saía do Templo, do livro do Profeta Ezequiel. Uma água que não se esgota, que existiu desde sempre e é eterna.

Há águas paradas, inquinadas, que levam à morte dos seres vivos que lá habitam e há águas cristalinas e vivas onde é bom mergulhar e nos rejuvenescem!

- O que procuramos realmente na vida? Em qual destas águas queremos mergulhar e o que fazemos por isso?

Quando andamos inquietos, sem paz, quando dizemos mal, invejamos ou julgamos os outros, quando não podemos perdoar, quando somos egoístas e pensamos só no nosso prazer e bem-estar, quando não queremos ajudar ou partilhar com os mais vulneráveis, devemos perguntar-nos em que fonte andamos a beber. Os frutos que a nossa vida dá, dão-nos ideia de como estamos e a cuidar da nossa terra, a ser regados, podados, fertilizados…

Na sua homilia em Paris, no passado dia 26 de Setembro, o Papa Leão XIV dizia a este propósito: “…a água viva do Espírito Santo foi derramada em abundância e continua a dar frutos na Igreja através de missionários e testemunhas em todas as culturas e povos. Fecunda tudo o que se deixa tocar e transformar por ela para dar o seu fruto, ou seja, a santidade daqueles que adoram o verdadeiro Deus e servem os irmãos e as irmãs com generosa caridade.”

Como hoje é dia de Nossa Senhora do Rosário, termino agradecendo a Maria tanto que nos dá, o seu imenso amor e companhia de Mãe atenta e generosa. Que nos ensine a acolher cada dia o Espírito de Deus, esse Amor derramado em nós, para que também do nosso coração possam correr rios de água viva para muitos.

 Os frutos da Madre Teresa de Calcutá:

"O fruto do silêncio é a oração, o fruto da oração é a fé, o fruto da fé é o amor, o fruto do amor é o serviço, o fruto do serviço é a paz."

 Música para hoje